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Brasil 01/09/2021

Solidariedade: a história antes do nascimento

Jefferson Coriteac
Jefferson Coriteac
Vice-presidente nacional do Solidariedade
Solidariedade: a história antes do nascimento
Fotos: Arquivo Solidariedade

No próximo dia 24 de setembro, o Solidariedade completa 8 anos e não poderíamos deixar de iniciar este mês comemorativo refletindo sobre as lutas vividas por toda a família Solidariedade em defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo brasileiro.

Nascemos e passamos a ser conhecidos há oito anos, mas nossa história se inicia cerca de dois anos antes, quando ainda éramos filiados ao PDT (Partido Democrático Trabalhista). O partido que até então era comandado por Leonel Brizola, também originário da luta trabalhista. Era isso que nos atraía e motivava, afinal, com nossa origem sindical, sempre lutamos em favor da classe trabalhadora e dos menos favorecidos.

Brizola desejava que Paulinho da Força – nosso atual presidente – também assumisse a presidência do PDT, mas com sua morte, Carlos Lupi tomou a frente do partido e as principais lutas e defesas do partido deixaram de ser em prol do trabalhador.

Percebemos então que nossos anseios por um Brasil melhor não seriam mais atendidos pela sigla. Paulinho da Força semeou a ideia, primeiramente nos dirigentes sindicais sobre a necessidade de criarmos um partido com ideologia trabalhista e que de fato lutasse pela classe. Alguns achavam que isso era loucura, no entanto, outros tantos nos apoiaram e disseram “sim” ao que até então era apenas um sonho.

Ainda filiados ao PDT, começamos um trabalho de coletas de assinaturas para validarmos o partido. Naquela época, a legislação exigia no mínimo 500 mil assinaturas conferidas e aprovadas pelos cartórios eleitorais. No início, achamos que essa tarefa seria fácil, afinal, já tínhamos experiência em colher assinaturas para abaixo assinados e protestos pontuais nas empresas, mal sabíamos o quanto a coleta das assinaturas para fundar um partido eram difíceis e diferentes das que já havíamos feito.

Para serem válidas, as fichas de apoio a criação do partido deveriam ter assinaturas iguais a feita no momento em cada cidadão havia tirado o seu título eleitoral, ou seja, a tarefa era ainda mais difícil, pois, com o passar dos anos as pessoas casam, descasam e mudam de assinatura, ou seja, para que conseguíssemos validar cada uma das certidões, tivemos que coletar mais de 1,5 milhão de assinaturas em todo o Brasil.

As fichas eram validadas uma a uma, às vezes encaminhávamos um pacote com 100 fichas e só cinco, 10 e por vezes apenas uma assinatura era certificada, só uma tinha assinatura idêntica ao momento em que a pessoa tirou o título, e essa tarefa que deveria ser relativamente rápida, durou mais de um ano e meio para ser concluída, afinal, após colhermos a ficha e encaminhá-la aos cartórios eleitorais, tínhamos que esperar a análise das assinaturas e isso às vezes demorava muitas semanas.

Havia um prazo limite para darmos entrada no partido, e, conforme a data ia se aproximando ficávamos mais apreensivos. Quando finalmente conseguimos certificar as 500 mil assinaturas, protegíamos essas certidões como ouro, não podíamos perder um único documento, afinal, todo o nosso trabalho, esforço e dedicação estavam ali naquelas certificações. 

Então, chegou a hora de encaminharmos toda aquela documentação ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Na época, as pessoas que desejassem concorrer a um cargo eletivo tinham que se filiar com no mínimo um ano de antecedência das eleições. Estávamos em setembro de 2013, bem próximos ao prazo limite, mas confiantes de que seríamos aceitos e homologados, escolhemos nosso nome e número. 

A escolha do nome Solidariedade se deu por conta do CST (Centro de Solidariedade ao Trabalhador), criado em 1998. Esse centro era uma espécie de agência de empregos que oferecia de forma gratuita um leque de oportunidades ao trabalhador, no mesmo instante em que apresentava dezenas de candidatos a empresa que ofertava a vaga, era uma troca mútua. E no intuito de sempre atuar com solidariedade para com os cidadãos, chegamos no consenso de que não haveria melhor nome para o partido, já que também não seria necessária a criação de siglas ou abreviações. Somos Solidariedade na íntegra, com todas as letras e sons.

Já o número 77 foi escolhido porque para muitos, o número 7 remete a sorte e poderia representar os anseios do trabalhador e os princípios de sermos centro-esquerda. Como só é permitido a escolha de números partidários composto por dois algarismos, definimos que o número ideal seria 77.

E na cidade de Brasília, no prédio do TSE, presidido pela ministra Carmem Lúcia, sob o olhar de aproximadamente 20 dirigentes e militantes, eis que nasce o Solidariedade às 22h22 do dia 24 de setembro de 2013. A alegria foi imensa, não pudemos nos conter, e num lugar que exige total silêncio, nós explodimos em risos e gritos de alegria.

Saímos do TSE com a hora já bastante avançada e nos demos conta de que tínhamos apenas nove dias para filiar as pessoas ao partido (as próximas eleições aconteceriam em 05/10/2014), e naquele mesmo instante saímos em busca de pessoas para se filiarem para que pudessem concorrer no ano seguinte. 

Conseguimos filiar milhares de pessoas e as eleições de 2014 foram um sucesso para o Solidariedade: foram eleitos 18 deputados federais (sendo três suplentes) e 23 deputados estaduais. Fomos ganhando corpo, forma e força e vieram as eleições de 2016, 2018, 2020… Hoje, o Solidariedade é o partido que mais cresce no país. A todo o instante, novos filiados integram o partido por compartilhar da mesma ideologia que a nossa e isso reafirma que estamos no caminho certo.

Nosso jargão é: “Com Solidariedade a gente muda o Brasil”, e é justamente isso que queremos. Queremos mudar o Brasil criando novas leis que beneficiem o trabalhador, os menos favorecidos e as pessoas com baixa renda. Queremos deixar um país melhor para nossos filhos, netos e toda a geração futura.