Artigos
Desenvolvimento que nasce da raiz
Minha avó Madalena tinha uma horta. Eu era menina e via-a cuidar da terra todos os dias, com uma disciplina que eu não entendia direito, mas que respeitava. O que sobrava da mesa, ela vendia na vizinhança. Não era um negócio, era sustento, mas ali, sem que ninguém chamasse assim, já existia a semente do que hoje chamamos de desenvolvimento econômico regional: gente comum transformando trabalho em renda, dentro da própria comunidade, sem precisar ir embora para isso.
Anos depois, após sair da capital de volta para o interior, fui eu quem construiu um negócio do zero. Comecei em casa, cozinhando por anos, até chegar a um restaurante que foi nosso sustento e que também gerou renda para outras famílias, até decidir, em 2024, virar essa página para me dedicar à vida pública. Nesse caminho, aprendi na prática o que muita gente só discute em teoria: que economia regional não se decreta em gabinete, ela se constrói terra a terra, negócio a negócio, contratação a contratação.
O interior de São Paulo, especialmente aqui no Sudoeste Paulista, tem tudo para ser protagonista do seu próprio crescimento. Temos agricultura familiar forte, vocação para o turismo rural e religioso, gente empreendedora que só precisa de um pouco mais de crédito, de estrada, de capacitação e de confiança para crescer. O problema nunca foi falta de talento ou de vontade. Foi a falta de políticas públicas que colocassem o interior no centro das prioridades, em vez de tratá-lo como um território secundário nas decisões.
Por isso defendo que desenvolvimento regional começa investindo em quem já está na ponta: o pequeno produtor, o comerciante de cidade pequena, o jovem e a mulher que querem se qualificar, mas não têm curso técnico perto de casa. Cada apoio à agricultura familiar, cada rota de turismo rural ou religioso estruturada, cada capacitação profissional oferecida no próprio município é, na prática, gente que deixa de precisar migrar para as grandes cidades em busca de oportunidade.
Eu carrego a horta da minha avó e o balcão do meu restaurante como referência do que quero para minha região: não um desenvolvimento importado de fora, mas um crescimento que nasce da raiz de quem já trabalha e produz aqui, e que só precisa ser visto, apoiado e representado.