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Hospital do Amor: audiência pública debate o sucesso atingido pela entidade no tratamento do câncer e reabilitação
A Comissão Especial de Combate ao Câncer da Câmara dos Deputados realizou uma audiência pública para discutir a experiência em reabilitação do Hospital de Amor e como ampliar o alcance das iniciativas de reabilitação para que essa seja acessível em todo o Brasil.
O Hospital de Amor é uma instituição filantrópica que atende pelo Sistema Único de Saúde e tem oito unidades espalhadas pelos estados de São Paulo, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Bahia e Acre. O levantamento mais recente da rede, de 2023, indicou a realização de cerca de 1,7 milhões de atendimentos por ano. 540 mil pessoas de mais de 2.500 municípios brasileiros, cerca de 45% das cidades do país, foram atendidas nesse período.
Amor pelo paciente
O médico fisiatra Henrique Fernando Buosi, representante do Hospital de Amor, apresentou o trabalho e as inovações que a rede tem implementado. A instituição tem realizado um esforço de vanguarda na área da reabilitação, não apenas focando no tratamento da doença, mas também na recuperação da qualidade de vida do paciente.
Uma iniciativa com alta taxa de sucesso descrita por Buosi é o uso de tecnologias como a realidade virtual para auxiliar na reabilitação motora fina, especialmente em crianças. A técnica permite que os pacientes realizem exercícios de fisioterapia em um ambiente lúdico, o que aumenta a adesão ao tratamento e diminui o impacto psicológico dos procedimentos. Além disso, a instituição tem investido em plataformas de telemedicina e monitoramento remoto, que possibilitam o acompanhamento de pacientes em áreas remotas, garantindo que o cuidado não se restrinja apenas ao espaço físico do hospital.
O médico também enfatizou a integração de diferentes áreas de cuidado, como a equoterapia e a fisioterapia, com atividades artísticas e lúdicas, para oferecer uma reabilitação mais humana e personalizada. Segundo o fisiatra, a abordagem multidisciplinar é um dos pilares do tratamento no Hospital de Amor, unindo médicos, fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais para atender o paciente em todas as suas necessidades.
O doutor Buosi também destacou a fabricação de próteses, órteses e equipamentos personalizados para atender às necessidades específicas dos pacientes, e apontou que a integração entre a engenharia de ponta e a expertise clínica alcançada pelas equipes de desenvolvimento consegue entregar resultados expressivos no aumento da qualidade de vida e reintegração dos pacientes com a sociedade. O médico citou como um dos exemplos desses resultados um sistema de aparelho auditivo para crianças que vem equipado com um microfone sem fio de uso intuitivo que transmite diretamente para esse aparelho. Assim, o professor dessa criança por exemplo, ao usar o microfone durante a aula, consegue manter a atenção dela na sala de aula, resolvendo de forma simples uma dificuldade de aprendizado potencial dessa criança.
O médico enfatizou que o mais importante é que essas inovações estejam ao alcance da população:
“Tudo isso é oferecido pelo SUS. Criamos e adquirimos tecnologias, procedimentos, terapias e máquinas que você muitas vezes não encontra nem na rede particular. E isso é o mais importante. Quando lutamos por uma terapia com alta tecnologia, estamos lutando para garantir que todo o processo seja mais ágil, acessível, democrático e que, desta forma, mais pessoas sejam beneficiadas.”
Em busca da universalização
O Secretário de Saúde de Uberlândia (MG), Adenilson Lima e Silva, aprovou a iniciativa da instituição em implementar uma linha de cuidado e combate ao câncer gratuita e completa, que inclua prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos:
“Os 75% da população brasileira que dependem do SUS merecem um tratamento de ‘primeiro mundo’ como o que o Hospital do Amor oferece.”
Luta por recursos
O deputado do Solidariedade Weliton Prado (MG) elogiou o trabalho do Hospital de Amor, que considera a realização de um sonho, e celebrou a construção de novos centros de reabilitação em Rondônia e Uberlândia. A luta a partir de agora, segundo ele, é garantir que centros como esses se espalhem por todas as regiões, oferecendo aos pacientes o direito a um tratamento digno e completo:
“O câncer, se você descobre ele na fase inicial, você trata e você cura. Às vezes não tem necessidade de fazer quimioterapia, não tem necessidade de fazer reabilitação. Mas para que isso esteja ao alcance da população no país inteiro precisamos oferecer esse tratamento de ponta e de qualidade em todas as unidades da federação, e isso custa dinheiro. Por isso a nossa luta agora é pela criação do Fundo Nacional de Enfrentamento ao Câncer, que destinará recursos para oferecer equipamentos, centros de saúde e tratamento em todo o Brasil.”
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Bruno Angrisano / Solidariedade na Câmara