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Seminário discute a construção de um futuro de qualidade e sustentável para as mulheres agricultoras
A Câmara realizou nesta terça-feira (14/4) o Seminário Internacional “Mulheres Agricultoras Familiares: Semeando um Futuro mais Próspero, Igualitário, Justo e Sustentável”. O Seminário, organizado pelo Deputado do Solidariedade Ribeiro Neto (MA) em parceria com a Unicafes (União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária), tem por objetivo discutir propostas para transformar o reconhecimento atual do papel das mulheres na agricultura em ações reais que resultem na valorização dessas trabalhadoras.
Autonomia
Durante o seminário, as palestrantes explicaram que, no Brasil, as mulheres sustentam uma parcela significativa da agricultura familiar, lideram redes de economia solidária, preservam conhecimentos tradicionais e impulsionam iniciativas de agregação de valor na produção rural. No entanto, a sub-representação feminina em posições de liderança, a sobrecarga do trabalho e a insegurança econômica mostram que os desafios da inclusão e da luta por um espaço justo no mercado ainda permanecem.
A produtora rural Yasmin Teixeira explicou que, desde que começou a produzir hortaliças e frutíferas, viu o quanto é desafiador disputar o mercado rural:
“Então nós decidimos fundar uma associação. Dessa associação nasceu a primeira Cooperativa de Mulheres da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Estado de Goiás, a Floriar. Essa cooperativa, que hoje conta com 60 mulheres, nos possibilitou estar presente na Unicafes (União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária) e conquistar nosso espaço no mercado.”
Heloísa Helena, representante da Subsecretaria de Mulheres Rurais do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), explicou que o Poder Público tem criado várias iniciativas para garantir oportunidades de trabalho, subsistência e autonomia econômica a trabalhadoras como Yasmin:
“A gente faz isso através de iniciativas como o ‘Programa Quintais Produtivos pelas Mulheres Rurais’. O programa traz organização e autonomia para as mulheres, em que elas podem comercializar sua produção, participar das feiras, se articular em grupos produtivos de mulheres rurais, e essa é uma estratégia muito bem sucedida.”
Cristina Arzabe, Pesquisadora da Embrapa especializada nas condições e desafios do trabalho com mulheres agricultoras, apresentou os resultados do programa “Mulheres Produtores do Bem Viver”, que tem um funcionamento semelhante à iniciativa do MDA: possibilitar que grupos de mulheres trabalhadoras, organizadas em cooperativas, consigam conquistar fatias de mercado e, assim, obtenham resultados significativos dos seus esforços:
“A Embrapa está atuando em todo o país, desenvolvendo capacidades institucionais, educando essas mulheres, e criando mecanismos de apoio à economia colaborativa, para que essas agricultoras possam colher resultados reais.”
Espaço para crescimento
Para Ribeiro Neto, o debate abordou caminhos para fortalecer soberania alimentar, sustentabilidade produtiva e inclusão de povos e comunidades tradicionais e a necessidade de políticas e instrumentos que reduzam barreiras de acesso à assistência técnica, crédito, mercados e inovação. Além disso, os palestrantes puderam discutir estratégias futuras para ampliar a presença de produtos e empreendimentos liderados por mulheres em mercados nacionais e internacionais:
“Fico feliz de poder disponibilizar esse espaço, para que a gente possa debater uma causa tão nobre e importante para o futuro do nosso país. Precisamos continuar explorando mecanismos de promoção comercial e inclusão financeira capazes de transformar protagonismo produtivo em autonomia econômica e oportunidades concretas.”
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Bruno Angrisano / Solidariedade na Câmara