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Mulher 14/07/2026

Mulheres que transformam territórios: quando o cuidado também é política pública

Mãe Manu de Oxum
Mãe Manu de Oxum
Pré-candidata a deputada federal (RJ)
Mulheres que transformam territórios: quando o cuidado também é política pública
A política em que acredito começa onde, muitas vezes, o poder público ainda não chegou: na força das mulheres, na organização das comunidades, na valorização do conhecimento e no cuidado com as pessoas.

Se existe algo que aprendi ao longo da minha caminhada é que cuidar também é uma forma de fazer política.

Muito antes de concluir minha formação em Gestão Pública, eu já aprendia diariamente com mulheres que transformavam seus territórios sem ocupar cargos públicos. Mulheres que sustentavam suas famílias, acolhiam pessoas, preservavam tradições, organizavam ações solidárias, encontravam soluções para problemas coletivos e faziam da comunidade uma extensão da própria casa.

Foram elas que me ensinaram que liderar nunca foi sobre mandar. Sempre foi sobre servir.

Essa compreensão moldou minha forma de enxergar o mundo e me fez acreditar que uma política pública eficiente nasce da escuta, do diálogo e do conhecimento da realidade. Nenhuma transformação acontece de forma isolada. As pessoas não vivem seus desafios separados por temas, e as soluções também não podem ser construídas dessa maneira.

Foi desse entendimento que nasceu o Programa de Enriquecimento Cultural e Social em Cidadania. Não como um curso tradicional, mas como um espaço permanente de formação cidadã, construído para fortalecer pessoas, comunidades e lideranças.

Ao longo de suas edições, o programa passou a reunir temas que dialogam diretamente com a vida das pessoas: direitos das mulheres, enfrentamento ao racismo religioso, inclusão de pessoas com deficiência e neurodivergentes, proteção da infância e da pessoa idosa, práticas integrativas em saúde, segurança e soberania alimentar, empreendedorismo, economia criativa, elaboração de projetos, produção cultural, educação ambiental, sustentabilidade e cidadania.

Porque acredito que cidadania não pode ser fragmentada. Ela precisa alcançar o ser humano em sua integralidade.

Essa mesma visão fortalece diariamente o trabalho desenvolvido pelo Instituto Axé Mulher. Em nossos projetos sociais, oficinas formativas, eventos culturais, ações de segurança alimentar, iniciativas voltadas ao bem-estar e à saúde mental, cursos de qualificação profissional e atividades de fortalecimento comunitário, encontro diariamente mulheres que desejam mais do que assistência. Elas buscam autonomia, conhecimento, respeito e oportunidades para construir um futuro melhor.

Cada oficina realizada, cada evento cultural promovido e cada projeto desenvolvido representa investimento em dignidade, pertencimento e desenvolvimento humano.

Como mulher de axé, também aprendi que ancestralidade é responsabilidade. Os terreiros e as comunidades tradicionais carregam uma longa história de acolhimento, preservação da cultura, solidariedade, respeito à natureza e fortalecimento dos vínculos comunitários. Muito antes de essas práticas receberem nomes técnicos, elas já promoviam cidadania, inclusão e cuidado.

Acredito que o Brasil precisa reconhecer cada vez mais essas experiências e compreender que o conhecimento acadêmico e os saberes populares não competem entre si. Pelo contrário. Quando dialogam, produzem soluções mais humanas, eficientes e próximas da realidade.

As mulheres conhecem profundamente essa construção.

Somos, muitas vezes, as primeiras a perceber quando falta alimento, quando uma criança precisa de proteção, quando uma pessoa idosa necessita de cuidado, quando uma mulher sofre violência, quando uma comunidade inteira precisa ser mobilizada ou quando o meio ambiente pede socorro.

Fortalecer mulheres não significa retirar espaço de ninguém. Significa ampliar oportunidades, reconhecer competências e permitir que mais lideranças participem da construção das soluções que o país tanto precisa.

Continuarei acreditando que investir em educação, cultura, sustentabilidade, empreendedorismo, cidadania e fortalecimento comunitário é investir no futuro do Brasil.

A política em que acredito começa onde, muitas vezes, o poder público ainda não chegou: na força das mulheres, na organização das comunidades, na valorização do conhecimento e no cuidado com as pessoas. É assim que acredito que transformamos territórios e construímos um Brasil mais justo, mais humano e mais solidário.